“Não quero que
ninguém ignore meus gritos de dor e quero que eles sejam ouvidos”.
Obras
Para Artaud, o teatro é o lugar privilegiado de uma germinação de formas
que refazem o ato criador, formas capazes de dirigir ou derivar forças.Em 1935 Artaud
conclui o "Teatro e seu Duplo" (Le Théâtre et son Double), um
dos livros mais influentes do teatro deste século. Na sua obra ele expõe o
grito, a respiração e o corpo do homem como lugar primordial do ato teatral,
denuncia o teatro digestivo e rejeita a supremacia da palavra. Esse era o Teatro da
Crueldade de Artaud, onde não haveria nenhuma distância entre
ator e plateia, todos seriam atores e todos fariam parte do processo, ao mesmo
tempo.Em Rodez, além de
suas cartas (lettres au docteur Ferdière) ele elabora uma prática vocal,
apurada dia a dia, associada à manifestações mágicas. A voz bate, cava, espeta, treme, a palavra
toma uma dimensão material, ela é gesto e ato.Artaud volta a Paris em 1946,
onde dois anos depois é encontrado morto em seu quarto no hospício do bairro de
Ivry-sur-Seine. Neste período, além de uma importante produção literária ele
desenha, prepara conferências e realiza a emissão radiofônica "Para acabar
com o juízo de Deus" (Pour en finir avec le jugement de dieu), em
que sua vontade expressiva se alia a um formalismo cuidadoso.Se nos anos 30 o
teatro para Artaud é “o lugar onde se refaz a vida”,
depois de Rodez ele é essencialmente o lugar onde se refaz o corpo. O “corpo
sem órgãos” é o nome deste
corpo refeito e reorganizado que uma vez libertado de seus automatismos se abre
para “dançar ao inverso”.
“A
questão que se coloca é de permitir que o teatro reencontre sua verdadeira linguagem, linguagem espacial, linguagem de gestos, de
atitudes, de expressões e de mímica, linguagem de gritos e onomatopeias, linguagem sonora, em que todos os elementos
objetivos se transformam em sinais, sejam visuais, sejam sonoros, mas que terão
tanta importância intelectual e de significados sensíveis quanto a linguagem de
palavras.”
Artaud escreveu:
"Não se trata de assassinar o público com preocupações cósmicas
transcendentes. O fato de existirem chaves profundas do pensamento e da ação
segundo as quais todo espetáculo é lido é coisa que não diz respeito ao
espectador em geral, que não se interessa por isso. Mas de todo o modo é preciso
que essas chaves estejam aí, e isso nos diz respeito" - em Teatro e seu
duplo.
Considerava-se um
poeta, mas não no sentido usual, pois ele acreditava que alguém se definia como
poeta ou não na própria vida, não precisando escrever um poema sequer. Apesar
de haver escrito poemas no início da carreira, conforme o autor poemas
simbolistas, queimou-os todos, e não temos ideia de como seriam estes poemas.
No entanto, textos posteriores como "Para acabar com o julgamento de
Deus" (1948), metafóricos e repletos de experimentação linguística, podem
muito bem se enquadrar na categoria depoesia em prosa.
Encontra-se
colaboração literária da sua autoria na revista portuguesa revista Pirâmide [1] (1959-1960).
Publicações
·
Linguagem e Vida. SP: Perspectiva, 2011
·
Eu, Antonin Artaud. SP: Assirio Alvim, 2007
·
O Teatro e seu Duplo. SP: Martins Editora, 2006
·
Heliogabalo. Assírio & Alvim
Frances
·
« Tric Trac du Ciel »,
Paris, Simon, s.d., 1923
·
« L'Ombilic des limbes »,
Gallimard, NRF, Paris, 1925
·
« Le Pèse-nerfs »,
Leibovitz, Paris, 1925
·
« L'Art et la mort »,
Denoël, Paris, 1929
·
« Le Moine, de Lewis »,
Paris, 1931
·
« Héliogabale ou l'anarchiste
couronné », Denoël & Steele, Paris, 1934
·
« Les Nouvelles révélations de l'être »,
Denoël, Paris, 1937
·
« Le Théâtre et son double »,
Gallimard, Paris, 1938
·
« D'un voyage au pays des Tarahumaras »,
Édiçaõ da revista Fontaine,
Paris, 1945
·
« Van Gogh le suicidé de la société »,
K, Paris, 1947
·
« Artaud le Mômo », Bordas,
Paris, 1947
·
« Ci-Gît précédé de La culture
indienne », K, Paris, 1947
·
« Pour en finir avec le jugement de
Dieu », K, Paris, 1948
·
« Les Cenci », in « Œuvres
complètes », Gallimard, La Pléiade, 1964
·
Van Gogh, le suicidé de
la société, programa de rádio, INA, André Dimanche
Editeur, 1995.
·
« 50 dessins pour assassiner la magie »,
Gallimard, Paris, 2004
·
« Artaud Œuvres », coleção
"Quarto", Gallimard, Paris, 2004
·
« Cahier d'Ivry, janeiro 1948 »,
fac-simile, Gallimard, Paris, 2006
As
obras completas de Artaud, em francês, tem 28 tomos, editados pela Gallimard.
Documentos sonoros
·
Veja no Youtube: Le rite du Peyot chez les Tarahumaras francês
·
Van Gogh, le suicidé de la
société, émission radiophonique, INA, André Dimanche
Éditeur, 1995.
·
Pour en finir avec le jugement
de Dieu, Sub Rosa, 1995 / INA et André Dimanche Éditeur,
1995
·
Pour en finir avec le jugement
de Dieu, intégralité de l'émission et remix par Marc
Chalosse, Artaud Remix, préface de Marc Dachy, France
Culture, collection Signature, 2001